As Primeiras Descobertas do Segundo Filho

Quando engravidei da Helena, minha caçula, a maioria das minhas amigas só tinha um filho. E várias perguntavam: “Não dá medo de não amar este segundo filho como você já ama o primeiro”? E eu respondia: “Não! Nunca! Imagina”! Mas era resposta pronta. A resposta que eu achava que tinha que dar. A grande verdade é que eu me perguntava a mesma coisa. O tempo todo. Caramba, será que dá para amar tanto, tanto assim, duas pessoas?

Se mães de filhos típicos já se fazem esta pergunta, imagine eu, que tinha um filho com síndrome de down? Filho que me assustou, deu um nó na minha cabeça, outro no meu coração e mais um, de bônus, no meu estômago. Ah, quer saber? Assumo que era tudo um nó só. Em um primeiro momento. Porque logo depois, o Mateus fez com que eu descobrisse um mundo novo, maluco e diferente que me transformou em uma defensora, até meio exagerada, da causa. No fim das contas, Mateus, mais que meu filho, virou uma bandeira pela qual lutar.

Apesar disso, confesso que, durante a gravidez da Helena, senti o maior medão dela carregar também alguma alteração genética. Gato escaldado, você sabe. Ao mesmo tempo, olha que loucura, tive medo de receber uma filha “perfeita” e, por isso, não conseguir amá-la tanto. O “imperfeito” já tinha virado minha causa. O “perfeito” poderia não ser tão motivador. Sentiu o tamanho do nó?

Mas, mais louca que eu é a vida. E ela mandou uma menina impossível de não se amar perdidamente. Helena é “mamãe, mamãe, mamãe” o tempo todo. Diz frases inteiras em sua língua particular mas que, invariavelmente, começam e terminam em “mamãe”. Helena é toda beijinhos, abracinhos e carinhos. O tempo inteiro. Ela não cansa. Nem eu.

Helena também é minha cara. E não vou falar dos traços porque seria “me achar demais”. Ela é muito, absurdamente, linda. Digo que ela é minha cara porque apertamos os olhos e fazemos bico quando dizemos “não”. Só sabemos correr dando pulinhos. Rimos de qualquer bobagem. Helena só chora de sono. Nem joelho ralado no asfalto abate minha pequena. Ela só chora de sono.

Hoje, subiu a escada contando: um, dois, sete, oito, dez. Com um ano e quatro meses. Hoje, abriu o zíper de uma mochila e tirou tudo de dentro. Com os dedinhos fazendo uma prensão perfeita no zíper. Mas eu só tenho noção do quanto estas coisas são incríveis porque, pelo Mateus, tive que me informar melhor sobre desenvolvimento de crianças. E tudo vira mais um nó muito louco. Nó bom. Admiro um porque admiro o outro e assim vai. Bem louco esse troço todo. Meus dois amores. Iguais no tamanho. Diferentes no formato.

 

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