Sobre o Tal do Flow

Tenho uma amiga querida que diz que odeia quando alguém fala que “o universo conspira”. Então, para não provocá-la, vou dizer que, às vezes, as coisas se “encaixam de maneira surpreendente”. Quando meu filho mais velho, Mateus, nasceu, decidi parar de trabalhar. Eu já imaginava que não conseguiria manter aquela rotina louca depois de virar mãe e a surpresa da síndrome de down do Mateus só veio para sacramentar a decisão. Havia muito a digerir, muito a pesquisar, muito a fazer.

Quando Mateus tinha cinco meses, engravidei da Helena. Bem na época em que estava começando a sentir um comichão para voltar a trabalhar. Se havia alguma dúvida, mais uma vez, as coisas se encaixaram sozinhas. Nada de emprego para a Aninha por um bom tempo.

Mas resolvi tentar uma volta à ativa do jeito que dava. Fiz uns telefonemas. Mandei umas mensagens. Contei para as pessoas que estava disponível para trabalhos freelancer como redatora. E, enquanto as ofertas de trabalho não apareciam, eu matava as saudades das letras escrevendo meus textos sobre maternidade no Facebook. Era uma forma de fazer o que mais amo, desabafar sobre aquele momento maluco e, sim, lembrar aos amigos e ao mercado que a Aninha Redatora ainda existia.

De lá pra cá, muitos trabalhos apareceram. Mas o interessante é que a maioria deles tinham e tem a ver com maternidade. E por acaso. Como o roteiro para o vídeo de uma OnG voltada a pessoas com síndrome de down, o roteiro para apresentar um canal sobre bebês no Youtube, o lançamento de uma linha de produtos de beleza pós parto e até o convite para escrever para a Revista Pais & Filhos. Resumindo: 90% do que me motiva hoje profissionalmente está ligado à maternidade.

E, já que comecei este texto citando uma amiga, tenho uma outra, queridíssima, super ligada à ioga e à filosofia ayurvédica, que me contou sobre o conceito de Flow. Pelo que entendi, Flow nada mais é que um fluxo de energia super bacana no qual você entra quando está fazendo aquilo que realmente ama fazer. É como se você doasse para o universo o seu melhor e, de alguma forma, este universo mandasse coisas muito boas de volta. Sabe quando tudo flui? Então. É o tal do Flow.

Eu realmente amo ser mãe e amo escrever. E acredito que, ao unir estas duas coisas, ao entrar de cabeça na maternidade e ao não abandonar meu ofício mesmo nos momentos mais difíceis, algo aconteceu. A maternidade que, inicialmente afastou-me da vida profissional, logo em seguida tornou-se uma geradora incrível de oportunidades. Isso tudo é para dizer que, seja você uma mãe que optou por continuar em sua carreira com força total ou seja você uma mãe que, como eu, resolveu virar a vida do avesso, tudo pode se ajeitar. Não é simples. Mas tudo o que é feito de coração traz algo bom em retorno.

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