Ups & Downs

Ele não é down. Ele é Up.

Eu entendo que, para quem nunca viveu uma situação assim, é difícil encontrar o que dizer. Mas, sério, evite esta frase. Primeiro, porque é um trocadilho bem infame. Segundo, porque escancara um total desconhecimento do assunto. A expressão “síndrome de down” nada tem a ver com o humor ou a personalidade daqueles que apresentam esta condição. Até o senso comum, na maioria das vezes tão equivocado, sabe que pessoas com síndrome de down costumam ser extremamente alegres e possuem uma tendência à felicidade maior que a da maioria.

Explicando bem por cima e sem muita enrolação, a expressão “síndrome de down” é uma homenagem a John Langdon Down, médico inglês, o primeiro a descrever a síndrome em 1862. Foi ele que identificou uma série de características comuns a algumas pessoas com problemas de desenvolvimento mental. Os olhos puxados, as orelhas de implantação baixa, a prega única nas palmas das mãos e muitas outras. Na época, o Sr. Down, batizou a síndrome com nomes nada lisonjeiros, como idiotia e mongolismo, associando a aparência destas pessoas com os traços daqueles nascidos na Mongólia.  O que não foi muito legal nem para os que apresentavam esta questão genética e nem para a galera daquela região. Mas, ok, politicamente e correto eram duas palavras que não andavam juntas nesta época.

Aí, em 1958, o professor francês Jerome Lejeune descobriu a causa genética da tal síndrome: uma cópia extra do cromossomo 21. E, diante da revelação, decidiu renomeá-la em homenagem a seu antecessor no estudo da questão. Ou seja, “síndrome de down” nada mais é que a síndrome descoberta pelo Dr. Down.

Então, vamos deixar para lá as comparações entre ups e downs. Down é sobrenome de um médico e Up é um desenho da Pixar. Bem bonitinho, por sinal.

Foto: Carol Bastos para Revista Pais & Filhos

 

English Version

He is not down. He is up.

I understand that for those who have never lived such a situation, it is hard to find what to say. But seriously, avoid this sentence. First, because it is a really bad pun. Second, because it opens wide a total ignorance about the subject. The term “down syndrome” has nothing to do with the mood or personality of those who have this condition. Even common sense, most of the time so mistaken, knows that kids with Down syndrome tend to be extremely happy and enjoy life more than most of the people.

In a brief explanation, the name “down syndrome” is a tribute to John Langdon Down, an English physician, who first described the syndrome in 1862 after identifying common characteristics among some people with mental development issues. Almond shaped eyes, low-set ears, a single crease on the palms and many others. At that time, Mr. Down baptized the syndrome with unflattering names, such as idiocy and mongolism, associating the appearance of his patients with those born in Mongolia. What was not very nice to those with this genetic issue and not for the guys that asian region too. But ok, “politically” and “correct” were not two words that went together very much at this time.

Then, in 1958, the French professor Jerome Lejeune discovered the genetic cause of the syndrome: an extra copy of chromosome 21. And, in the face of revelation, decided to rename it in honor of his predecessor in the study of the matter. So, “down syndrome” means nothing but the syndrome discovered by Dr. Down.

So let’s let it go comparisons between ups and downs. Down is the last name of a doctor and Up is a Pixar movie. A very cute one, by the way.

Photo: Carol Bastos for Pais & Filhos Magazine

1,314 total views, 2 views today

2 comments on Ups & Downs

  • Daniela

    Amei seu blog e suas palavras leves para quem entende ou não da síndrome de down. Mesmo no seu momento de dor e você desabafa, tudo continua leve. Nenhum dos meus filhos tem a dita cuja da síndrome, mas mesmo assim tem seus altos e baixos, como por exemplo, o meu mais velho de 1 ano e meio que não cresce. Todas nós, mães, temos nossos altos e baixos, sejam com nós mesmas ou por tabela dos nossos filhos. Mas você nos faz ver tudo dessa forma leve, e nos faz nos identificarmos com você em nossos momentos de mãe e mulher. Parabéns pelo seu talento.

    • AnaCastelo
      AnaCastelo (author)

      Daniela, obrigada! Que legal que você entendeu exatamente minha intenção. Quanto ao seu filho, imagino como também seja complicado… Depois que tive o Mateus e passei a viver este mundo de crianças “diferentes”, fiquei e continuo impressionada com o tanto de “dificuldades” que encontramos por aí. É o seu que não cresce e você não sabe porquê, o outro que não fala sem ninguém consegue entender o motivo também. Acho que a grande verdade é que temos muito menos “normalidade” no mundo do que eu imaginava até um tempo atrás. E vamos que vamos. Você com sua luta, eu com a minha e cada mãe com a sua também. Beijo grande e obrigada pelas palavras carinhosas.

Deixe uma resposta