Sobre Certezas

Depois que você tem filhos, parece que você está sempre errada. E não estou falando do julgamento dos outros. Segundo este, você está de fato sempre errada. Tenho uma conhecida que até batizou a amiga de Dona Tacomfometacomsede. Eu mesma tenho amigas do tipo Senhora Tacomcalortacomfrio ou Tia Tacomcolica. Porque os outros tem sempre a absoluta certeza de que a gente está deixando de cuidar de alguma coisa. E alguma coisa muito óbvia. Como se você fosse a única mulher totalmente zerada no quesito instinto maternal. Esta tem sido a reclamação mais comum entre a maioria das minhas amigas que se tornaram mães recentemente: a facilidade e insistência com que os outros dão palpites quase sempre óbvios e sem o menor fundamento.

Mas, voltando, parece que você está sempre errada. Se você está trabalhando, mesmo de casa, com as crianças bem ali e muito bem acompanhadas por uma babá cuidadosa e querida, você se sente em falta. Afinal, quem deveria estar provocando aquelas gargalhadas é você. Porém, se você está fazendo a eguinha pocotó, deitada no chão e suando em bicas para divertir suas crianças, automaticamente, você lembra daquele trabalho do qual deveria estar cuidando. Que exemplo é este de mãe? Que não mostra aos pequenos como ser produtivo é importante?

Se você liga a TV para não deixar a casa tão silenciosa em um dia chuvoso, tem medo de estar criando vegetais hipnotizados e incapazes de pensar. Se você deixa as crianças brincando sozinhas e fica olhando de longe, enquanto adianta o jantar, tem medo de parecer distante. E essa casa tão tranquila? Será que não vai deprimí-los? Se você passa o dia inteiro em cima deles, tem medo de estar cerceando sua criatividade. Segundo estudos, crianças que aprendem a brincar sozinhas são mais independentes e criativas. Mas a maioria das pessoas que chega em sua casa parece achar bem estranho que você esteja fazendo uma coisa e seus filhos, outra.

É uma loucura. As possibilidades de como conduzir o dia a dia são quase infinitas. Mas, se tem uma coisa na qual eu acredito, como já diziam os Beatles, é que tudo que precisamos é de amor. Com ele, acredito, nossos filhos conseguirão entender que os momentos com a babá são necessários. Que a TV pode ser bacana, mas não a única forma de distração. Que ter uma mãe que faz dancinha, imita personagens e brinca de cavalinho é bacana, mas também não precisa durar o dia inteiro.

Mas tudo isso eu acho. Só acho. Não tenho mais as certezas que um dia tive. Ô, se tive. Como diz uma frase que li outro dia: Eu era uma mãe perfeita até que tive filhos.

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