Sobre erros. Os meus.

Então, eu tenho um filho com síndrome de down (e insisto no meu pequeno protesto pessoal de nunca escrever o nome da danada com letras maiúsculas).

O Mateus, o Má, está com 3 anos e 8 meses. Um mocinho já. E, durante estes 44 meses, tenho escrito, escrito, escrito, falado, falado, falado e postado pra caramba. Fiz um site, escrevi para revistas, participei de eventos, palestrei. Virei ativista. A louca da causa.

Parece até que eu já sei lidar com toda esta história, né?

Pois, então. Não é bem assim.

Ultimamente, percebi que preciso encarar alguns preconceitinhos (Preconceitozinhos? Preconceitosinhos?) que ainda existem aqui dentro deste coração amoroso e bem intencionado.

É difícil admitir. Mas caiu uma ficha de que preciso escutar meu filho mais e melhor.

Por exemplo: notei que é muito fácil me aproveitar (claro que sem querer) do não falar do Mateus. Puxa, como dá trabalho lidar com Helena, minha filha mais nova, quando ela está segurando um objeto perigoso. Tem que explicar, tem que argumentar, ameaçar, aguentar chororô. Um saco. Cansa.

Com o Má, é muito mais tranquilo. Explico uma vez e já tomo o tal objeto da mão. Ponto. Assunto resolvido. Ele não fala. Ele não argumenta. Ele é um doce que não reclama. Ele é sempre um doce.

Não me julgue. Já me julgo demais. O tempo todo. Não estou gostando de admitir. Mas, mesmo com vergonha, acho que preciso.

Para dizer que o preconceituoso não é necessariamente uma pessoa muito do mal. Para dizer que aprender é um processo diário. Requer atenção e vontade. Para dizer que, desde que senti esta intuição de que o Má precisa ser mais ouvido, ele passou a se comunicar muito mais comigo. Sílabas saem com mais facilidade. Gestos e olhares fazem mais sentido que nunca.

Eu decidi ouvir melhor. Ele passou a falar melhor.

Sinto um pouquinho de vergonha de quem eu era ontem. Mas ficar posando e postando textos de boa mãe, mãe engajada, mãe ativista é fácil. Estou sempre me revendo. E encontrando erros que sei (espero) que ainda posso corrigir.

Postar meus erros é um compromisso que faço para não repetí-los e um jeito de mostrar que todos nós podemos corrigir nossos preconceitos. Hoje. Agora. Pode ser amanhã também. Não importa.

É só começar. Dá tempo.

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