Sobre Estranhos e Suas Dúvidas

Para você, pode parecer estranho, mas acho super bacana quando algum desconhecido, na rua, pergunta abertamente se meu filho é especial ou, mais abertamente ainda, se ele tem síndrome de down. Normalmente, quem age assim, o faz com uma curiosidade saudável. Às vezes, tem algum parente próximo com a mesma questão. Outras vezes, ficou encantado ao ver um menino tão simpático, fofo e esperto com aqueles olhinhos puxados típicos da síndrome.

O diálogo começa sempre da mesma forma. Com a pessoa perguntando em voz baixa. E eu entendo. Já imaginou o medo de dar um furo? Perguntar para uma mãe se o filho tem síndrome de down e receber um não como resposta? Nossa, eu mesma já passei por isso. Já encontrei bebês em diversos lugares que me deram vontade de abordar o assunto com a mãe, mas fiquei quieta. Medo de estar enganada. Mais medo ainda de encontrar uma mãe que não queira falar sobre o assunto. Ao contrário dos corajosos que me abordam, eu fico na minha.

Mas, quando a situação contrária acontece, quando percebo uma pessoa se aproximando meio sem jeito e fazendo uma pergunta em um volume até difícil de ouvir, faço questão de responder com um sorriso. Faço questão de tranquilizá-la mostrando que ela não está dando um fora e que o assunto não é tabu. E o que recebo em troca é sempre compensador. Primeiro, vem o suspiro de alívio. Em seguida, perguntas muito pertinentes ou afirmações cheias de carinho. Como aconteceu com a linda avó que me abordou outro dia no shopping. Uma senhora de roupas simples, mas postura muito elegante, fez a tal pergunta em vozinha baixa e com aquele olhar tenso. Eu nem precisei ouvir para responder “sim” com um sorriso. Depois de relaxar a voz e o olhar, ela contou que já estava nos observando de longe porque tem uma netinha recém-nascida com síndrome de down e se sentiu reconfortada ao ver uma criança um pouco mais velha tão feliz e tranquila.

Entendi perfeitamente o que ela estava sentindo. Quando o Mateus nasceu, minha maior curiosidade era conhecer outros bebês e crianças pequenas com síndrome de down. Afinal, é mais comum vermos pessoas com nove, dez anos, adolescentes e adultos nas ruas. Agora, criancinhas de um, dois ou três anos eram um mistério para mim. Provavelmente, por isso, eu ache este tipo de situação tão interessante. O que antes era uma incógnita, agora é simplesmente a minha vida. E é uma ótima vida. Ainda cheia de inseguranças e perguntas. Mas, se minha experiência ao longo destes últimos quatro anos puder ajudar uma pessoa aqui e outra ali a superar seus medos e a tirar algumas de suas dúvidas, continuarei guardando o melhor dos meus sorrisos para cada uma delas.

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2 comments on Sobre Estranhos e Suas Dúvidas

  • Marinalva Soares

    Perfeito, bem assim mesmo!

    • AnaCastelo
      AnaCastelo (author)

      <3, Marinalva!

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