Mãe com Emoção

Este é o textinho com o qual estreei no Just Real Moms, site que respeito demais e foi uma referência super importante quando engravidei. Fiquei muito honrada quando a Renata Pires me ligou super querida dizendo que gostaria de minha participação no site.

Mãe Com Emoção.

Costumo dizer que este negócio de virar mãe, para mim, foi com emoção. Escrevo o “com emoção” lembrando daqueles bugueiros no Rio Grande do Norte que, antes de descer uma duna, perguntam: É com emoção ou sem emoção? E você pensa: estou de férias neste lugar lindo, quero mais é muita emoção. E dez segundos depois fica arrependida da resposta ao se ver empoleirada e chacoalhando em um treco sem cinto, sem teto e encarando a possibilidade de uma esfoliação muito mais que profunda no meio daquela areia toda.

Minha maternidade foi assim. Com muita emoção. Juro que vou resumir. Nunca quis ter filhos. Mas, aos 37 anos e com um DIU vencido, bom, vamos tirar e ver no que dá. Grávida em 20 dias. Aborto com 9 semanas. Nunca, nunca, nunca imaginei que doesse tanto perder um bebê. Curetagem, evita por um tempo, libera. Grávida, de novo, em 20 dias. Chega o Mateus e a notícia da síndrome de down (nunca escrevo o nome dela em letras maiúsculas; é meu pequeno protesto pessoal, uma forma de não dar muita importância à danada). Vumbora digerir a história toda, amar loucamente aquele garotinho lindo demais e pesquisar sobre um universo diferente. Porque, sim, é diferente. Quatro meses depois, uia, grávida de novo. Vem Helena. Mas, claro, não sem antes levantar a possibilidade de “talvez, quem sabe, ter alguma questãozinha que só poderemos averiguar melhor depois do parto”, palavras da ultrassonografista. Não, não foi tranquilo e nem favorável.

Foi por estas e outras que, ao longo de 42 anos, já deu para aprender que nenhuma mudança acontece sem (adivinha o quê) emoção. E que as grandes mudanças, aquelas de verdadona mesmo, quase sempre são consequência de emoções, digamos, nem tão fáceis assim. Quase sempre são resultado de emoções que, se pudéssemos escolher, nem viveríamos.

Tenha calma que este que este texto tem um final bacana e super pra cima. A intenção aqui é apenas me apresentar e dizer que “estamos juntas”. Tornar-se mãe é um processo intenso e doído para todas. Achamos que vamos gerar uma vida e, quando vamos ver, somos nós que estamos nascendo de novo. Acreditamos que vamos ensinar e, ops, descobrimos que estamos é aprendendo muito mais. Educar? Caramba, como educar sem rever suas próprias atitudes? Aquelas em que você nem prestava atenção até outro dia?

Mas pode reparar em uma coisa. Todo mundo que já fez um passeio de bugue pelas dunas do nordeste aconselha sempre o mesmo: quando o motorista perguntar se você quer o passeio com emoção, responda que sim. Vai dar o maior medão. Mas vai ser muito, mas muito, mais legal.

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2 comments on Mãe com Emoção

  • Juliana Souza

    Ana, você é 1000! Adoro o jeito que usa as palavras, e me perco lendo e relendo seus textos!

    • AnaCastelo
      AnaCastelo (author)

      Oi, Juliana!!! Que legal! Fico muito honrada mesmo! Prometo postar mais para você não ter que ficar relendo os mesmos! Bjão!!!

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