Sobre Datas e Aprendizados

Este textinho foi escrito com exclusividade para um site que admiro muito, o Just Real Moms, para celebrar o último Dia Internacional da síndrome de down. Espero que gostem!

 

Hoje é o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data não foi escolhida à toa. Dia 21/3. Uma referência ao terceiro cromossomo 21 que é a causa da síndrome. Se você não sabia dessa história toda, fique tranquila. Eu também não fazia a menor ideia até quatro anos atrás, quando nasceu o meu filho Mateus que, além de trazer todas as emoções do primeiro filho, também chegou com esta surpresinha.

De lá pra cá, descobri isso e muito, mas muito mais. Em um primeiro momento, disse aos amigos que não seria ativista da causa, que levaria uma vida “normal” com meu marido e meu filho. Eu não tinha chegado ainda no capítulo que ensina que esse lance de “normal” simplesmente não existe e que mães são ativistas por natureza.

Entre estes primeiros sentimentos, um deles era o de ter um certo bode em relação à data. Ela não me caía bem. Parecia uma compensação politicamente correta para os outros 364 dias de preconceito e desigualdade. Como assim, tirar um dia para celebrar a característica que está longe de ser o que meu filho tem de melhor?

Porque não, não é. Se tem um sentimento que nunca mudou desde o primeiro momento em que a Síndrome de Down entrou em minha vida é o de que meu filho não é especial, não é um anjo e eu não sou uma mulher escolhida à dedo para uma missão mais elevada que a da maioria das mães. Acho muito equivocado glamourizar a síndrome. Para mim, isso não é “fazer de um limão uma limonada”. É querer se convencer que o limão não é azedo. Eu e minhas analogias malucas.

Mas este março de 2017 está especial. Nunca falou-se tanto sobre o assunto. A data ganhou uma importância tão grande que contaminou o mês inteiro. Desde o dia 1º, perdi a conta das reportagens que li, das entrevistas que assisti, dos seminários, das exposições, das campanhas publicitárias inclusivas. Está lindo de ver.

Por isso, este ano, fui obrigada a baixar minha guarda para reconhecer e comemorar a data. Nunca dando parabéns ao meu filho (assim, como os parabéns no Dia da Mulher também me incomodam). Mas vibrando com tantas oportunidades para falar sobre a questão, para debater direitos e botar nossa cara com olhinhos amendoados e narizes pequenos na rua.

Escrevo este texto com o coração aos pulos para correr de volta para a TV e assistir a todos os amigos reais e virtuais que sei que aparecerão hoje em diversos programas. Escrevo feliz e muito emocionada.

Por isso, agradeço a você que se interessou pelo post e chegou até aqui neste texto enorme. Mais que uma leitora, você é uma oportunidade muito importante. Uma oportunidade para eu dizer que o seu filho e o meu têm muito mais semelhanças que diferenças. Que você não precisa ficar procurando as palavras corretas para conversar com a gente. Nossa, você já tem tanta coisa com que se preocupar. Não coloque mais este item na lista. As palavras “erradas”, quando ditas com carinho e verdade, também serão ouvidas com carinho e verdade. Talvez, eu dê uma corrigida aqui e outra ali só para sua informação. E talvez eu nem corrija para não estragar o ritmo de uma boa conversa com constrangimentos desnecessários.

Obrigada por ler, por se interessar, por me dar a chance de plantar mais uma sementinha. Nossa, tenho tanto a lhe dizer. Mas, por enquanto, quero apenas fazer um trato. Hoje, você comemora por mim, pelo meu filho e pelos milhares de pessoas que lutam pela causa. E, no próximo 21/2, farei um brinde ao seu filho que tem apenas dois cromossomos 21 como manda o figurino e é tão especial quanto o meu. Viva!

595 total views, 5 views today