Sobre Frutas e Fraldas.

As crianças entraram para a escola ano passado. E, se tem uma coisa com a qual não consegui me adaptar, foi à tal “terça da fruta”. Toda terça, a missão de mandar uma fruta diferente pré-determinada pela escola. No primeiro dia do ano, você já recebe uma agendinha das próximas 3.456 semanas. Haja fruta. De maçã à uva moscatel. Juro que tem a terça da uva moscatel.

Na maioria das vezes, esqueço mesmo. Em outras, percorro quilômetros atrás de nêsperas maduras do Himalaia mas esqueço de mandar. Você não imagina a frustração de chegar em casa, logo depois de deixar as crianças na escola, e dar de cara com uma caixa de nêsperas em cima do balcão. 

Mas, enfim, comecei 2017 toda trabalhada na culpa materna e me prometi nunca, jamais, esquecer uma única fruta. Nenhuma terça passará.

Hoje foi o dia do abacate.
Ok, abacate é comunzão aqui em casa. Mas ontem, claro, não tinha. Tinha mas acabou. E só me dei conta lá pelas dez da noite.

Acionei o marido para comprar no caminho entre o aeroporto e nossa casa. O bichinho viaja direto, estava cansadão, mas fez.

E eu?

Com medo de esquecer a terça da fruta, já meti o abacate recém-comprado na mochila do Mateus (Tava madurinho ainda. Aguentaria uma noite).

Às 7 da manhã, me sentia a melhor mãe do mundo. Mandei a p0r$@ da fruta para a j0%@ da escola. Brilhei. Milhares no mundo todo farão desfiles em minha homenagem.

Corta. Meio-dia. Ligação da escola.

Coração quase sai da boca.

“Ana, o abacate que você mandou estava lindo, mas o Ma está lotado de xixi e você não mandou fralda.”

Na boa, não sei se dou conta.

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