Terapias. Para quem mesmo?

Há pouquíssimo tempo, começamos um novo trabalho de terapia com o Mateus. A sementinha foi plantada no fim do ano passado, pelas Tias Miriam e Giselle, duas de nossas querídissimas terapeutas, que recomendaram um acompanhamento mais próximo na escola para ajudar o Mateus a interagir melhor com colegas, professores e atividades em geral. É que, além da síndrome de down, ele tem também uma certa timidez. Nem sei se é esta a palavra certa. Está mais para um jeito meio turrão de só fazer o que quer e na hora em que quer. A fruta nunca cai muito longe do pé. Nisso, ele é igaulzinho ao pai. Tá, tá, tá. Igual à mãe também. Assumo.

Na primeira sessão com o novo terapeuta, achei que estava apenas indo combinar os detalhes do acompanhamento na escola. Quantas vezes por semana? O que exatamente seria feito? Quanto custa?

Mas, ao entrar na sala deste rapaz que já estou achando que vai entrar para nossa lista de pessoas de grande confiança, senti um clima que indicava que aquela terapia não era só para o Má. Era pra mim também. Luz baixa, ele sentado à minha frente e mais ouvindo que falando. Durante boa parte parte dos 60 minutos, segurei o choro. Poxa, era só o que me faltava. Eu, metida a bem resolvida, colunista da Pais & Filhos e acostumada a acalmar pais recentes de crianças com síndrome de down, ainda ter alguma coisa para chorar. Não era possível.

Esta primeira sessão foi há uns 15 dias. De lá pra cá, meu marido também teve sua sessão de terapia (ele, eu tenho certeza que chorou) e nossa casa também foi alvo de uma horinha de avaliação.

Ouvi que não devo mais dizer que o Mateus não fala. Eu é que preciso rever as minhas palavras enquanto o Mateus desenvolve as dele.

Fiquei sem resposta ao ser perguntada porque o Mateus ainda toma mamadeira e usa fralda. Terapeuta bom deixa a gente assim: sem as respostas que costumamos dar para os outros e, principalmente, para nós mesmos.

Temos uma sorte danada de conseguir oferecer muita coisa para ajudar o Mateus a se desenvolver bem e independente. Porém, este novo acompanhamento, voltado não apenas a ele, mas também à escola e à família, veio para reforçar um ponto importante: a gente pode fazer a terapia que for, gastar o dinheiro que tiver, mas se a gente não confiar de verdade em nosso filho, nada vai fazer tanta diferença assim.

Se eu terminar este texto agora, vai parecer que estou dizendo que não confio no meu filho e que preciso de alguém, ou alguéns, para fazer isso por mim. Não é isso. Tanto que usei a palavra “reforçar” ali em cima.

Aqui, está escrevendo apenas uma mãe que, apesar de parecer tão forte e esclarecida, às vezes, ainda precisa de ajuda, de informação e de uma ou outra crítica. Que venham outras. Não de qualquer palpiteiro da web ou da porta da padaria. Mas destas pessoas incríveis, interessantes e interessadas que tive a chance de conhecer desde setembro de 2012.

 

 

 

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