Escrito porAnaCastelo

Um textinho feliz

Neste 21 de março de 2018, tenho uma ótima notícia para dar: que maravilhoso momento para se ter um filho com síndrome de down. Sério. Dá só uma olhada em volta. Nossas carinhas de olhinhos amendoados estão por toda parte. Em alguns dos melhores comerciais do ano (brasileiros e estrangeiros), nos anúncios de moda, nas redes sociais. Ah, por falar nisso, você acompanhou a revolta geral do pessoal no facebook protestando contra o post da desembargadora que ironiza uma professora com síndrome de down? Não quero nem entrar neste assunto porque decidi não dar visibilidade para maluco. Só quero dizer…

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Sobre o jeito de cada um

Somos todos iguais. Somos todos iguais. Somos todos iguais. O mantra da pessoa bem-intencionada-engajada-do-bem que já entoei tanto por aí. Até entender que a verdadona mesmo é exatamente a oposta: somos todos diferentes. A ficha caiu quando tive meu primeiro filho. Na real, foi um tempo depois. Logo que ele nasceu, assumo, ainda foquei por um tempo e com todas as forças na teoria de que somos todos iguais. Até que, um dia, a ficha contrária caiu. E, posso falar? Foi libertador. Porque, enquanto acharmos que o bacana, o correto, é nos enxergarmos como iguais, não chegaremos a lugar nenhum.…

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Sobre um dia lindo

Quer ter um dia lindo? Comece assim: indo à reunião de fim de ano na escola. Com a professora, a coordenadora e o terapeuta do seu filho. Chegue com um nó na barriga e outro no coração. Sem ter certeza de que a recomendação será ele ir para a série seguinte ou ficar mais um ano no Infantil 2. Depois, escute muitos minutos e histórias lindas sobre o amadurecimento dele em 2017. Descubra que ele tem falado mais, interagido mais com os amigos, ido ao banheiro sozinho quando tem vontade, comido alimentos sólidos mesmo fora de casa e que ama…

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Um diálogo que quer dizer muito mais

Na praia. Eu e marido cansadões mas precisando deste momento areia, água, nós quatro. Pessoa que se aproxima: Que lindos seus filhos. Ele tem quantos anos? Eu: Eles são demais, né? Ele tem cinco e ela tem quatro. Pessoa: Minha prima também tem um. Eu (só de sacanagem): Um o quê? Um filho? Que bom! Ela (sem sacar): Não. Um Eu (atuando): Um? Ah! Um filho com síndrome de down? É isso? Ela: Ele é o máximo! Fofo assim que nem o seu! Tranquilão, amoroso! Adora um celular e blablablablablablablabla. Eu: Que legal! Como é o nome dele? Ela: Ai,…

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Sobre sumiços e línguas ferinas

O café da manhã na padaria é o símbolo da minha resistência materna. Insisto no programa que se tornou impossível com duas crianças pequenas. Quando um se aquieta, é o outro que sai correndo para cumprimentar um cachorro do outro lado da calçada. Ou para roubar o pão de queijo do vizinho depois de quase vomitar ao ver a porção que pedi pra gente. Mas eu vou. Sábado após sábado. Domingos, idem. Três semanas atrás, fomos de novo. Eu, Mateus, Helena e Ju, a folguista. Na verdade, resisti muito à ideia da folguista. Mas, depois de voltar com tudo ao…

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Sobre sim e não.

Participar dos grupos de whatsapp das mães da escola para acompanhar coleguinhas e polêmicas de perto: Não. Abração de cair no chão sempre que nos encontramos: Sim. Contar histórias antes de dormir: Não. Mas tem cafuné e sono de conchinha. Ser caxias com a joça da fruta que tem que mandar toda terça pra escola: Não. Mas juro que queria. Só não dou conta. Lavar os narizes com frequência nesta estação complicada: Menos do que deveria. Mas rola. Evitar as faltas nas terapias do Mateus: Sim! Quase quatro anos inteiros dedicados a eles: Ah, sim. Ufa. Dois “sim” seguidos. Desfralde…

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Terapias. Para quem mesmo?

Há pouquíssimo tempo, começamos um novo trabalho de terapia com o Mateus. A sementinha foi plantada no fim do ano passado, pelas Tias Miriam e Giselle, duas de nossas querídissimas terapeutas, que recomendaram um acompanhamento mais próximo na escola para ajudar o Mateus a interagir melhor com colegas, professores e atividades em geral. É que, além da síndrome de down, ele tem também uma certa timidez. Nem sei se é esta a palavra certa. Está mais para um jeito meio turrão de só fazer o que quer e na hora em que quer. A fruta nunca cai muito longe do…

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Sobre A Felicidade De Fazer Parte.

Oba! Amanhã é o 3º Seminário Mãe Também É Gente da Revista Pais & Filhos. E também é o terceiro em que estarei presente. No primeiro, fui como convidada e pude acompanhar de perto as palestras mais encantadoras e interessantes. No segundo, participei da mesa redonda em que o tema era: Ser mãe fica melhor a cada dia. Amanhã, estarei novamente na mesa redonda que, desta vez, tem o tema: Só cria filhos felizes, uma mãe feliz.  428 total views, 1 views today

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Sobre Frutas e Fraldas.

As crianças entraram para a escola ano passado. E, se tem uma coisa com a qual não consegui me adaptar, foi à tal “terça da fruta”. Toda terça, a missão de mandar uma fruta diferente pré-determinada pela escola. No primeiro dia do ano, você já recebe uma agendinha das próximas 3.456 semanas. Haja fruta. De maçã à uva moscatel. Juro que tem a terça da uva moscatel. Na maioria das vezes, esqueço mesmo. Em outras, percorro quilômetros atrás de nêsperas maduras do Himalaia mas esqueço de mandar. Você não imagina a frustração de chegar em casa, logo depois de deixar as…

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