Browsing CategoryEncheções

Um diálogo que quer dizer muito mais

Na praia. Eu e marido cansadões mas precisando deste momento areia, água, nós quatro. Pessoa que se aproxima: Que lindos seus filhos. Ele tem quantos anos? Eu: Eles são demais, né? Ele tem cinco e ela tem quatro. Pessoa: Minha prima também tem um. Eu (só de sacanagem): Um o quê? Um filho? Que bom! Ela (sem sacar): Não. Um Eu (atuando): Um? Ah! Um filho com síndrome de down? É isso? Ela: Ele é o máximo! Fofo assim que nem o seu! Tranquilão, amoroso! Adora um celular e blablablablablablablabla. Eu: Que legal! Como é o nome dele? Ela: Ai,…

33 total views, no views today

Sobre sumiços e línguas ferinas

O café da manhã na padaria é o símbolo da minha resistência materna. Insisto no programa que se tornou impossível com duas crianças pequenas. Quando um se aquieta, é o outro que sai correndo para cumprimentar um cachorro do outro lado da calçada. Ou para roubar o pão de queijo do vizinho depois de quase vomitar ao ver a porção que pedi pra gente. Mas eu vou. Sábado após sábado. Domingos, idem. Três semanas atrás, fomos de novo. Eu, Mateus, Helena e Ju, a folguista. Na verdade, resisti muito à ideia da folguista. Mas, depois de voltar com tudo ao…

200 total views, 5 views today

Sobre Um Mundo Estranho e Vidas Boas

Em países mais desenvolvidos, os exames pré-natais também são. E mais acessíveis também. O que é maravilhoso por uma série de motivos. Principalmente por tornar possível a realização de procedimentos importantes ainda durante a gestação. Hoje não são raras as cirurgias cardíacas realizadas no ventre e que talvez salvem mais corações de mães do que de bebês. Estou citando um exemplo radical. Muitas vezes, exames precisos levam a medidas simples que fazem muita diferença. Acontece que, com o aumento da eficácia e da acessibilidade a estes exames, aumenta também o número de abortos de crianças com síndrome de down. Na…

3,865 total views, no views today

Sobre Certezas

Depois que você tem filhos, parece que você está sempre errada. E não estou falando do julgamento dos outros. Segundo este, você está de fato sempre errada. Tenho uma conhecida que até batizou a amiga de Dona Tacomfometacomsede. Eu mesma tenho amigas do tipo Senhora Tacomcalortacomfrio ou Tia Tacomcolica. Porque os outros tem sempre a absoluta certeza de que a gente está deixando de cuidar de alguma coisa. E alguma coisa muito óbvia. Como se você fosse a única mulher totalmente zerada no quesito instinto maternal. Esta tem sido a reclamação mais comum entre a maioria das minhas amigas que…

1,364 total views, no views today

Sobre os Dias Ruins

Sobre os dias bons, já escrevi pra caramba. Todo mundo já tem uma ideia: amor, esperança e beijos, muitos beijos. Mas preciso admitir que existem os dias ruins. São poucos. E, talvez, justamente por isso, são fortes. Nestes dias, o amor e a esperança ficam meio espremidos entre a tristeza e o medo. Os beijos continuam sendo dados aos montes. Mas com os olhos fechados e apertados com muita força tentando afastar alguns pensamentos. A grande verdade, que pode decepcionar aqueles que preferem textos cheios de otimismo, é que, às vezes, fico triste sim pela síndrome do Mateus. Calma. Não…

1,465 total views, 1 views today

A Sala Vazia

Quando o Mateus tinha aproximadamente 2 meses, resolvemos abandonar o pediatra tradicional e procurar outro especializado em síndrome de down (sim, eu continuo usando letras minúsculas para não encher a bola da danada). Na verdade, era um teste. Estávamos ainda muito agarrados à mentalidade de que ele tinha que ser tratado normalmente e não sabíamos que a criança down tem diferenças fisiológicas que precisam de um olhar mais preparado. Este texto vai ser curto. Porque a experiência foi bem rápida também, apesar de tão forte. Antes de sair de casa, fiz questão de passar uma maquiagem, colocar um vestido bonito…

1,376 total views, no views today